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Netflix Enfrenta Processo de US$ 105 Milhões Após Perder Cópia de Filme com Nicolas Cage

julho 31, 2026
Netflix - Crédito: Netflix

Imagina a cena: você passa sete anos da sua vida e US$ 45 milhões para produzir um filme com Nicolas Cage e Ben Kingsley. Entrega uma cópia para a Netflix avaliar. O estúdio some, não devolve o material e, quando finalmente responde, diz que "alguém roubou alguns drives das mesas". Pois foi exatamente isso que aconteceu com Simon Afram, produtor suíço do filme "Fortitude". Ele acabou de entrar com um processo de US$ 105 milhões contra a gigante do streaming.

O caso, registrado na quarta-feira, é um daqueles que parecem roteiro de comédia de erro, mas que na prática podem custar caro. Afram, que escreveu o roteiro e liderou o projeto, entregou uma cópia não criptografada do filme na sede da Netflix em junho, como parte de uma negociação para venda dos direitos. Quando um produtor associado tentou retirar o material, o silêncio foi a única resposta. A Netflix demorou mais de uma semana para admitir o ocorrido. O email de Sean Berney, diretor de filmes originais da plataforma, foi quase surreal: "Infelizmente, alguém roubou uma boa quantidade de drives das mesas do nosso escritório nesta última semana".

"Fortitude" já vinha de uma história conturbada. Em 2023, Afram processou Martin Scorsese, acusando o cineasta de ter recebido US$ 500 mil para ser produtor executivo e não ter feito nada para ajudar o projeto. A defesa de Scorsese rebateu chamando Afram de "novato com expectativas irreais". As partes chegaram a um acordo extrajudicial no ano seguinte. Agora, o produtor suíço parece ter encontrado um novo alvo para sua frustração.

A Netflix, por sua vez, nega qualquer responsabilidade. Em comunicado, a empresa afirmou que não se responsabiliza pelo arquivamento de materiais entregues sem as devidas salvaguardas. Segundo a plataforma, o padrão da indústria é compartilhar filmes inéditos por meio de links protegidos por senha ou DCPs criptografados com chave de desbloqueio. O problema é que Afram afirma ter seguido as instruções da própria Netflix, que permitiam o envio de DCPs não criptografados desde que o arquivo fosse deletado após a exibição.

O produtor argumenta que a negligência da Netflix comprometeu a exclusividade do filme e, consequentemente, seu valor de mercado. A empresa, por outro lado, parece não ter ficado satisfeita com a reação de Afram. Em seu comunicado, a Netflix mencionou que o produtor teria imediatamente exigido US$ 165 milhões pelo filme em vez de cooperar com as investigações. A plataforma ainda investiga o roubo e monitora sites de pirataria para verificar se o material vazou. Até o momento, não há indícios de que o filme tenha sido divulgado.

E aí fica a pergunta: será que a Netflix vai ter que desembolsar mais de US$ 100 milhões por um filme que nem chegou a comprar? A história, por enquanto, parece mais um capítulo de uma novela jurídica que promete render bons episódios.

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