A Paramount Skydance deu um passo agressivo na batalha judicial pela compra da Warner Bros. Discovery. Na segunda-feira (17), a empresa de David Ellison apresentou uma moção em tribunal federal pedindo que os 12 estados que processam para bloquear o negócio e o Sindicato dos Roteiristas dos EUA (WGA) depositem uma caução de US$ 1,88 bilhão — cerca de R$ 10,3 bilhões — para cobrir as perdas financeiras da Paramount enquanto a fusão de US$ 111 bilhões permanece suspensa.
O pedido, protocolado junto à juíza Araceli Martinez-Olguín, estabelece um prazo: os estados e o WGA teriam até 30 de setembro para depositar parte do valor, arcando com a totalidade caso percam a ação. A Paramount argumenta que a lei federal exige que os autores de ações antitruste depositem uma caução para cobrir os danos causados pela suspensão de uma transação, “para que, se perderem, a parte lesada tenha uma fonte de recuperação para o dano causado”.
O que são as ticking fees O pedido bilionário está diretamente ligado às chamadas ticking fees — multas diárias que a Paramount precisa pagar aos acionistas da Warner Bros. Discovery enquanto a fusão não for concluída.
A partir de 1º de outubro, a Paramount terá que desembolsar cerca de US$ 7 milhões por dia em ticking fees — ou US$ 650 milhões por trimestre — até que o negócio seja fechado. A empresa estima que, até o fim do julgamento, marcado para março de 2027, acumulará pelo menos US$ 1,3 bilhão em perdas apenas com essas multas.
A caução bilionária, segundo a Paramount, cobriria exatamente esse rombo: o valor máximo potencial das ticking fees e os custos de financiamento durante o litígio. Além disso, a empresa argumenta que o atraso de pelo menos oito meses na conclusão da fusão impede investimentos em conteúdo, produção e talentos criativos, prejudicando também os funcionários de ambas as empresas.
A reação dos estados A resposta dos procuradores-gerais dos 12 estados, liderados por Rob Bonta (Califórnia), foi de rejeição imediata. Em nota, o escritório de Bonta afirmou que a Paramount “está tentando nos chantagear para recuarmos” e que a empresa está pedindo um “recomeço” após ter concordado voluntariamente com os termos que agora protesta.
Segundo Bonta:
“A Paramount entrou nesse processo de olhos bem abertos. Eles estão deitados na cama que fizeram.”
Ele já havia afirmado anteriormente que os contribuintes “não pagariam pelo que a Paramount concordou em pagar”.
A juíza Martinez-Olguín, que concedeu uma liminar suspendendo temporariamente a fusão em julho, já havia dispensado a exigência de caução na ocasião, entendendo que os estados estavam processando “para fazer valer importantes interesses públicos”. Agora, caberá a ela decidir se acata o novo pedido da Paramount.
Cenário da fusão A Paramount Skydance já obteve aprovações regulatórias de 68 jurisdições, incluindo o Departamento de Justiça dos EUA, e afirma que os processos dos estados e do WGA são os únicos obstáculos restantes para a conclusão do negócio.
O julgamento antitruste está marcado para 2 de março de 2027, com duração prevista de cerca de duas semanas. A Paramount concordou em adiar o fechamento da fusão até cinco dias após o veredito, ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro.
A empresa também já ameaçou publicamente deixar a Califórnia, sua sede histórica, caso os procuradores não cheguem a um acordo antes do prazo de 1º de outubro. Bonta, por sua vez, afirmou estar aberto a negociações, mas exige que a Paramount proponha remédios estruturais — como a venda de ativos — e não apenas compromissos comportamentais.