Wagner Moura está de volta à Netflix — e desta vez, o confinamento que ele retrata na tela o fez revisitar o isolamento que a humanidade viveu durante a pandemia. Em "A Última Casa", suspense de ficção científica dirigido por Louis Leterrier que estreou no catálogo em 7 de agosto, o ator brasileiro interpreta Jason Delgado, um pai de família que fica preso em casa com sua esposa e dois filhos por cinco anos.
O cenário é apocalíptico: uma enchente misteriosa e criaturas surgidas do oceano mantêm a família Delgado confinada em sua residência em Seattle. Mas, para Moura, a ressonância com o que vivemos entre 2020 e 2022 foi inevitável — e o fez refletir sobre o que ele esperava que viesse depois.
A Declaração: a Esperança que não se Concretizou
Em entrevista ao CinemaBlend, Moura falou sobre o final do filme, em que a família finalmente consegue deixar a casa — e, talvez, recomeçar em um mundo completamente transformado. A pergunta que ficou foi: o que ele imaginava que aconteceria com eles depois?
A resposta veio carregada de uma comparação direta com o pós-pandemia:
"Bem, espero que eles descubram que, claro, o mundo mudou. Mas espero que descubram que há coisas boas nessa mudança. Acho que saímos da Covid — quando a Covid meio que acabou — e eu pensei: 'Ok, o mundo vai mudar. Vamos sair disso com uma mentalidade diferente.' E não acho que isso aconteceu. Então espero que seja diferente para os personagens do filme."
A declaração revela uma espécie de desapontamento silencioso: a expectativa de que um evento global tão disruptivo — como a pandemia — pudesse reorientar prioridades, sensibilizar a sociedade ou gerar uma virada coletiva. A sensação de Moura é que, no mundo real, essa transformação não veio.
O Filme e a Ressonância da Pandemia
"A Última Casa" não é, claro, um documentário sobre a Covid. A trama aposta em um elemento de ficção científica para criar o isolamento: uma chuva que sela as casas do mundo inteiro e libera as criaturas do oceano. Mas a experiência do confinamento — de estar preso, de lidar com recursos escassos, de ver o mundo lá fora mudar sem poder participar — é um eco deliberado do que vivemos.
Para Moura, essa ressonância foi o que o atraiu ao projeto. O ator contou à Variety que o roteiro ecoou a pandemia imediatamente, lembrando tanto a devastação causada pelo vírus no Brasil quanto a intimidade inesperada que encontrou em casa com a mulher e os filhos durante o lockdown. Ele descreveu essa experiência como uma mistura de momentos bonitos e intensos — e reconheceu que foi uma conversa em um café da manhã com o diretor Louis Leterrier que selou sua decisão de se juntar ao projeto, que ele chama de "um filme de família no espírito daqueles que assistia nos anos 1980 e 1990".
O que o Público está Achando
Nem tudo são elogios, no entanto. "A Última Casa" tem recebido críticas mistas: no Rotten Tomatoes, a pontuação do público está em 28% e a da crítica em 30%. O portal ScreenRant deu uma nota especialmente baixa ao filme, 2 de 10, argumentando que a premissa intrigante leva a uma conclusão insatisfatória.
Apesar disso, o longa tem performado bem em termos de audiência na Netflix, permanecendo no topo dos filmes mais assistidos da plataforma nos Estados Unidos e no mundo em seu segundo dia de lançamento.
Wagner Moura, por sua vez, parece menos interessado nas notas e mais no que a história representa. A comparação que ele fez — do confinamento do filme com a esperança não realizada do pós-pandemia — é um lembrete de que, às vezes, as histórias de ficção servem para nos fazer pensar sobre as que vivemos de verdade. E, no caso dele, a esperança de que o mundo mudasse para melhor ainda está ali — mesmo que apenas na tela.