Mel Gibson afirmou que sua aguardada sequência de A Paixão de Cristo (2004), intitulada A Ressurreição de Cristo, vai preencher as lacunas narrativas deixadas pelos Evangelhos canônicos. Em entrevista ao The Christian Post nesta semana, o diretor de 70 anos explicou que os textos bíblicos não contam toda a história, e que seu novo filme pretende explorar exatamente o que eles deixam de fora.
"Se você olhar para os Evangelhos sinóticos — e eles são sinóticos, o que significa que não contam tudo", disse Gibson. "E até João diz: 'Sabem, havia muitas outras coisas que Jesus disse e fez que, se fossem escritas, não caberiam em todas as bibliotecas do mundo', certo? Então há muita coisa que não foi escrita."
O que são os Evangelhos sinóticos
O termo "sinótico" vem do grego e significa "ver junto". Refere-se aos três Evangelhos — Mateus, Marcos e Lucas — que apresentam a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus de forma semelhante. Gibson argumenta que justamente essa semelhança, combinada com as omissões reconhecidas no Evangelho de João, abre espaço para especulação dramática.
"Uma pessoa pode olhar para essas coisas e pensar: 'O que aconteceu ao redor disso?' e tentar analisar e fazer suposições sobre o que pode ter acontecido", explicou o diretor. "Não para ir contra o ensinamento ortodoxo, mas para melhorar, eu acho, o que está ali para todos verem, e espero que eles sejam surpreendidos por algumas dessas revelações."
Uma viagem por reinos espirituais
A escala narrativa do filme é ambiciosa. Gibson revelou que a história vai muito além do plano terreno. "Acho que para realmente contar a história direito, você precisa começar com a queda dos anjos, o que significa que você está em outro lugar, em outro reino", disse. "Você precisa ir ao inferno. Você precisa ir ao Sheol."
Sheol é o submundo do Antigo Testamento. O diretor descreveu que o filme vai transitar pelo "firmamento antes da criação", pelo "inferno dos justos" e pelo "inferno dos condenados". "Não fica só no planeta aqui. Ele circula."
Em entrevista anterior ao podcast de Joe Rogan, Gibson já havia descrito o roteiro como "uma viagem de ácido" e afirmou que nunca leu nada parecido.
Elenco renovado e produção
O filme, que será dividido em duas partes, terá o ator finlandês Jaakko Ohtonen no papel de Jesus, substituindo Jim Caviezel — que interpretou o personagem em 2004. A substituição ocorreu devido à necessidade de rejuvenescimento digital de Caviezel, que atualmente tem 57 anos e teria que aparentar 33. Mariela Garriga assume o papel de Maria Madalena, antes vivido por Monica Bellucci.
As filmagens duraram 134 dias e ocorreram em seis locações na Itália, incluindo Roma, Matera, Bari, Ginosa, Craco e Brindisi — a mesma região onde o filme original foi rodado. O roteiro foi coescrito por Gibson e Randall Wallace, colaborador de longa data com quem trabalhou em Coração Valente (1995).
Datas de lançamento e orçamento
A Ressurreição de Cristo: Parte Um estreia em 6 de maio de 2027 (Dia da Ascensão), e Parte Dois em 25 de maio de 2028 (também Dia da Ascensão e fim de semana do Memorial Day nos EUA). Anteriormente previstas para 2026, as datas foram adiadas.
Cada parte tem orçamento estimado em US100milho~es,totalizandoUS100milho~es,totalizandoUS 200 milhões — uma das maiores produções independentes da história recente.
Controvérsias e expectativas
O filme já enfrenta escrutínio. A Variety reportou que Gibson consultou em seu set o Arcebispo Carlo Maria Viganò, crítico do Vaticano excomungado em 2024 após rejeitar a autoridade do Papa Francisco. Gibson defendeu publicamente Viganò na época.
A Paixão de Cristo arrecadou mais de US$ 610 milhões mundialmente e se tornou o filme independente de maior bilheteria de todos os tempos, apesar de críticas de grupos judeus e estudiosos sobre sua representação dos perseguidores de Jesus. A sequência promete ser igualmente divisiva.
"Este filme representa uma grande parte do meu trabalho de vida e exigiu tudo de mim como cineasta e como artista", declarou Gibson. "Não é apenas um filme para mim. É uma missão que carrego há mais de vinte anos."
